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Oficina: jornalismo do livro II

Blog dos alunos de Prática de Produção de Textos I do IEL/Unicamp


Joyce por inteiro: 
Caetano Galindo conversa sobre a nova tradução de Dublinenses, seus próximos projetos e o panorama cultural-literário brasileiro

A nova edição de Dublinenses, da Companhia das Letras, é mais um passo no projeto de tradução completa da obra de James Joyce pelo escritor e professor Caetano Galindo, da Universidade Federal do Paraná. Depois de verter para o português Ulysses, o livro mais famoso do autor irlandês, em tradução premiada com o Jabuti 2013, ele continua a aumentar o seu legado joyceano. O próximo desafio deverá ser traduzir Finnegans Wake, a obra mais ambiciosa de Joyce, considerado por muitos estudiosos como intraduzível, por apresentar palavras que misturam diversos idiomas, neologismos e trocadilhos. “Se eu tenho que aprender a ‘ler’ aquele livro, imagine ‘traduzir’!”, brinca Galindo, em entrevista concedida ao blog.


Munida de um rico aparato crítico, a tradução de Dublinenses confere aos leitores de língua portuguesa a oportunidade de vivenciar a Dublin do final do século XIX e do começo do século XX, encarnada nos 15 contos que compõem o livro. Isso além de permitir observar, por meio de seus personagens, algumas das grandes questões do comportamento Humano, “com maiúscula mesmo”, como Galindo afirma.  Apesar do livro ser considerado o mais acessível do autor irlandês, ele abriga “o trecho de tradução em prosa que mais deu trabalho” até agora na carreira de Galindo. 
Mas as dificuldades não parecer assustar o professor da federal do Paraná, responsável por traduzir outros autores considerados “espinhosos”, como David Foster Wallace e Thomas Pynchon. Junto com o seu irmão, Rogério Galindo, ele também foi finalista do Prêmio Jabuti de 2016, com a tradução de Ossos de Eco, de Samuel Beckett (Biblioteca Azul, 2015). Além disso, seu livro de contos, Ensaios sobre o Entendimento Humano (Biblioteca Paraná, 2013), venceu o Prêmio Paraná de Literatura no ano de sua publicação. 

Em que medida o cotejo com as demais traduções de Dublinenses influenciou os caminhos tomados nesta nova? O que a distingue das anteriores?
Olha. Muito pouco. Eu tenho lá no fundo da memória a lembrança do efeito geral que me causou a tradução do Hamilton Trevisan. Quantos? Vinte e cinco anos atrás? Mas na verdade não me dediquei a cotejo e não consultei traduções mais recentes. Eu tenho também algum contato com a segunda tradução do José Roberto O’Shea, que consultei para preparar aulas logo depois de seu lançamento. Mas, de novo, na hora de sentar para trabalhar, eu quase intencionalmente abro os olhos só para o original e para as minhas escolhas. Até por isso, deixo para os leitores dizerem o que a minha tradução tem de diferente. No entanto, ela tem um aparato crítico maior que o das outras, com notas de rodapé, prefácio, cronologia do autor e da obra… E, de minha parte, posso dizer que ela contém, na sua última página, o trecho de tradução de prosa que me deu mais trabalho, e com o qual me detive mais longamente na minha carreira.

Traduzir e estudar Joyce também é traduzir e estudar a Irlanda. Como é sua relação com a cultura e a história irlandesas?
Ela me veio em grande medida como você descreveu na pergunta. Através da obra de Joyce. Foi sempre ele que me levou a querer estudar mais, conhecer o processo da luta pela independência, me familiarizar com a história de Parnell [Charles Parnell, importante figura política de ascendência irlandesa do século XIX], com os conflitos religiosos… Alguém criado, como eu, no fim dos anos 70 e nos anos 80, tinha, claro, certa familiaridade com a disputa entre católicos e protestantes, com a ação do IRA, através do cinema e mesmo da televisão. Mas meu envolvimento maior se deve todo a Joyce. Mesmo na única vez em que eu estive em Dublin (em 2004) eu me sentia muito mais visitando o cenário de um livro do que uma cidade…

De que maneira o panorama político, religioso e social da Dublin de Joyce pode ser relevante aos leitores brasileiros do século XXI?
Não sei se terá grandes ressonâncias diretas, nem se deveria. Grandes livros partem por vezes de coisas muito pontuais, muito historicamente demarcadas em uma dada sociedade, em um dado contexto. Mas o que de fato os tornou grandes, e garante sua repercussão imediata, tende a ser o quanto eles conseguiram extrair de humanamente mais amplo, mais profundo, de cada uma dessas questões. É daí que surge a tão comentada “universalidade” dos clássicos. Mais do que Parnell, o que se discute é a figura do líder, a figura do homem falível, do homem traído, por exemplo. Eu não preciso ser príncipe herdeiro usurpado num reino escandinavo para me identificar com os problemas de Hamlet! O interesse de Joyce sempre foi Humano, com maiúscula mesmo. Quando falava da história colonial da Irlanda ou da masturbação de um adolescente pernóstico. E, para quem sabe ler, esse interesse garante uma afinidade muito grande daqueles livros com a gente, com o nosso tempo, com qualquer tempo.

Você termina a nota do tradutor em Dublinenses com uma proposição: “vamos ao projeto Finnegans Wake”. O que a imensidão deste desafio representa na sua carreira e nos paradigmas da obra joyceana?
Na minha carreira seria uma espécie de... (tenho até receio de dizer) culminação? Seria uma espécie de passo mais largo e definitivo. Para a obra joyceana, significa pouco. Para a recepção de Joyce no Brasil tem lá seu peso, afinal, seria a possibilidade de o leitor acessar toda a obra publicada de Joyce  na tradução de uma mesma pessoa (devo ainda no começo de 2019 entregar à editora minha tradução de Exiles e dos dois livros de poemas de Joyce), seguindo um mesmo “projeto”…

E para a tradução em si, o que esta empreitada representaria?
Para a tradução em si a coisa é bem mais complicada. O Finnegans Wake é não só um livro estranho, mas, insisto em dizer, um livro que cria novas e inesperadas maneiras de ser estranho. Sem querer alongar demais essa resposta, basta dizer que o livro, em seus momentos mais típicos, raramente “quer dizer” alguma coisa. Suas palavras, suas frases criam possibilidades de leitura (algumas jamais suspeitadas por Joyce, inclusive) sem necessariamente determinar qual delas é central. Não é nada infrequente que alguém que leia o Wake, e se sinta profundamente emocionado por alguma passagem, possa dizer mais ou menos bem o que está acontecendo ali, mas não consiga parafrasear, não possa repetir o que o texto “disse”. Porque ele não “disse” de fato aquelas coisas. Ele as fez existir como possibilidades… Estranho, né? Mas extremamente poderoso. E como traduzir uma coisa que os falantes “nativos” não sabem nem concordar se quer dizer A, B ou BA? Como criar algo que “corresponda” a um texto tão inapreensível quanto por vezes é o texto do Wake?
A parte mais difícil (e a que toma mais tempo) para se ler o Wake é determinar o que o verbo “ler” vai querer dizer ali para aquele livro. Porque não vai ser a mesma coisa dos outros livros que você leu na vida. Não vai dar para passar os olhos de uma palavra para outra e ir entendendo, e por vezes voltando para entender um trecho mais denso… Se você tentar fazer isso, vai enlouquecer antes da quarta página.
E se eu tenho que aprender a “ler” aquele livro, imagine “traduzir”!

Também pensa em escrever um livro guia para o Finnegans Wake, assim como fez em Sim, eu digo sim (Companhia das Letras, 2016), no qual conduziu o leitor por cada parte de Ulysses?
Olha… pode ser sim. Seria a cereja.

Em outras entrevistas, você já mencionou preferir traduções menos focadas na “fidelidade lexical” ao texto original e mais vinculadas à “adaptação semântica” entre os contextos linguísticos. Neste sentido, a criatividade também se faz premente para o tradutor. Como conciliar técnica e inventividade?
A palavra “fidelidade”, especialmente, é um verdadeiro campo minado. O que quer dizer “fidelidade lexical”? Palavra por palavra? Traduzir “black eye” por “olho roxo” é fiel, apesar de black querer dizer preto? Desde os primeiros textos que refletiram sobre tradução no Ocidente (desde a antiguidade latina), os autores sabem que não existe tradução palavra por palavra. Ela é um objetivo que apenas os leigos defendem. Ou julgam defender. Porque mesmo em situações em que algo assim seria possível, eles acabariam preferindo os resultados de um processo mais “holístico”, que encare os enunciados como unidade, e não as palavras. “Adaptação” é outra palavra perigosa. E tende a ser um limite que, como tradutores, nós precisamos evitar. Como diz o grande Paulo Henriques Britto, o objetivo da tradução é permitir que o leitor que conheça o original e a tradução declare que os dois são a mesma coisa. Ou, melhor ainda, que permita que o leitor da tradução diga, sem mentir, que leu o original. Como quando eu afirmo que li A história de Genji, apesar de não saber nem decifrar a escrita japonesa.

Como alcançar esse efeito?
Essa é a grande fidelidade que o tradutor deve ao autor, à obra original, aos seus editores, aos seus leitores e a si próprio. Produzir essa mágica maluca de um texto novo, num contexto inesperado, que se afirma como “vernáculo” (no nosso caso, como brasileiro) ao mesmo tempo em que sustenta essa sensação de dar a ler um original anterior.
E para obter esse efeito é necessária uma grande dose de criatividade, sim. E ela decorre de uma responsabilidade. Eu preciso dar “vida” ao texto original. Preciso conferir beleza, efeito literário, conforme ele solicite a cada dado momento. E a única maneira de eu simultaneamente estar à altura dessa tarefa e me colocar humildemente em relação a ela é dar o que eu tenho de melhor. É fazer o possível para dar de novo essa vida ao original. E isso demanda invenção, jogo de cintura, flexibilidade, domínio da língua, da tradição e dos recursos de criação. É essa a criatividade que eu e qualquer tradutor literário defendemos. Em nome daquela fidelidade.

Ouve-se muitos pesquisadores apontando a dificuldade de se conseguir financiamento em áreas de pouco impacto mercadológico. Qual é a sua visão sobre o cenário atual das pesquisas na área de tradução?
Não sei se essa pergunta foi elaborada antes ou depois do resultado das eleições presidenciais. Agora, consumado o fato, só posso dizer que o panorama para toda a área de pesquisa é obscuro. E que as humanas hão de sofrer os cortes mais pesados, num governo que se elegeu já colocando professores, intelectuais e escritores não apenas sob suspeita, mas no lugar do “inimigo”. Só posso imaginar tempos muito ruins para toda a nossa área, que, ao mesmo tempo, será relevante e necessária como nunca.

Um fenômeno recente é a proliferação de leitores comentando literatura nas novas mídias sociais, como o YouTube e o Instagram. Há a polêmica de que os booktubers não são aptos a falar sobre literatura, principalmente a respeito dos clássicos. Por outro lado, muitos consideram importante essa democratização dos espaços, apostando ainda que isso pode ser um incentivo para que se leia mais. Qual é o seu posicionamento sobre o tema?
Eu acho sempre bom que se fale de literatura. Tenho pouco contato com os tais booktubers, mas já vi coisas boas, coisas sólidas e coisas mais leves e “irresponsáveis” (no melhor sentido). Livros têm que ser lidos. E comentados. Inclusive os clássicos. Nada, portanto, contra a existência do fenômeno.

Haveria um lado negativo nesse fenômeno?
O problema, se problema existe, é o mesmo de outras áreas, no que se refere à bolha virtual versus o mundo do papel. O problema é quando essa fonte de informação passa a ser única e definitiva. Porque, pela sua própria natureza, ela tende a ser mais leve, mais superficial. Ela é, afinal, ou pretende ser, uma empreitada comercial. E conta com um lapso de atenção bem mais reduzido de parte de seu público. Não dá para fazer grandes ensaios densos e descomprometidos nessas condições. Mesmo que as pessoas possam, e queiram. E essas abordagens mais densas têm de existir, ainda que para um público menor.
Acho que o que a gente está vendo é um aumento do leitorado, sim, que toma a forma da boa e velha curva de sino, e então o aumento no “meio” é muito maior, e parece afogar as margens… Mas as margens (a literatura “para poucos”, por exemplo) continuam lá. E talvez deva ser mesmo assim. Mas, reafirmo, se um carinha ou uma menina de 16 anos quiser fazer um vídeo de 20 minutos sobre sua leitura de Guerra e Paz, eu, de minha parte, aplaudo. 

Em um texto publicado no seu blog no site da Companhia das Letras, intitulado O fim?, você escreve palavras duras sobre o momento atual. Entretanto, termina-o com um fio de esperança. O que esperar deste futuro governo como escritor, tradutor e professor?
Acho que já disse acima. Espero repressão da diversidade de pensamento. Espero policiamento direto e terceirizado, realizado pelas multidões de minions radicalizados e, agora, empoderados. Espero corte de verbas. Espero até ações mais diretas contra colegas. Meu irmão, jornalista marcadamente “de esquerda”, acaba de ser demitido depois de publicar um texto incisivo. Espero mais demissões, espero perseguições. Espero que a gente saia dessa de pé. Espero que os intelectuais, apesar de sob intenso ataque agora, mantenham a mente ativa e consigam ajudar o país a superar essa sua crise… Espero…


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Encarcerados (2018), de John Scalzi, tem a sua narrativa policial nos moldes já conhecidos de Agatha Christie e Sherlock Holmes; o agente e seu parceiro desvendando o mistério, e a busca incessante pelo assassino a partir das evidências encontradas. Mas a obra surpreende ao inserir a investigação do crime em um mundo futurista, sobrepondo, ou até mesmo mesclando, ficção científica e trama policial.

Repleto de robôs e armas tecnológicas, em teoria o universo do romance é mais avançado, porém, econômica e socialmente, mais injusto e desigual. Essa característica permite ainda que o autor encaminhe a história para o subgênero cyberpunk, conhecido por tratar de um mundo altamente tecnológico, mas com pouca qualidade de vida para determinados povos não abastados. O enredo se desenrola a partir de um crime ocorrido em um quarto de hotel. O suposto ator do assassinato está junto da vítima, mas afirma não se lembrar do que aconteceu. Uma equipe de investigadores (Chris Shane e Leslie Vann) é chamada para acompanhar o caso, julgando se foi homicídio ou tentativa de suicídio incriminatória. 

Para a criação de seu livro, John Scalzi inventou uma doença que se assemelha a uma gripe altamente nociva, a qual ataca o cérebro, forçando a sua transferência para um robô. Os corpos reais quase inutilizados dos afetados ficam encarcerados (“Lock In”, do título original em inglês) ou em berços fechados, sob os cuidados de pessoas saudáveis. Os infectados são conhecidos por Hadens, os quais, paralelamente à narrativa do crime, reivindicam seus direitos.

Pela recorrência do tema do confinamento, o leitor sente a necessidade de refletir sobre os diversos tipos de “prisão”. Tanto aquela tratada na realidade ficcional do livro, quanto o aprisionamento sofrido por muitos no mundo real. Este, aliás, se mostra injusto aos marginalizados, pois há poucas políticas de inclusão, e elas são falhas, resultando em enclausuramento involuntário daqueles que mais precisam de apoio. Por exemplo, muitos portadores de deficiências físicas sofrem limitações e confinamentos pela falta de estruturas sociais e políticas interessadas em seus direitos de vida. Os Hadens podem ser lidos aqui também como deficientes marginalizados pela sociedade, encarcerados pelo sistema científico e político mundial.

De sua obra socialmente engajada, torna-se possível analisar do mesmo modo, por intermédio da escrita do autor, sua bagagem cultural. Também em um de seus últimos livros publicados, Redshirts (2012), é perceptível o uso de várias referências à cultura de massa e a filmes de sucesso. Alusões a Star Wars (1977) e até mesmo as típicas piadas sobre o FBI aumentam o interesse do público pela sua obra, além de suavizar a história.

As escolhas narrativas se mostram certeiras na elaboração dos perfis bastante diversos no vasto “elenco” do livro. É demonstrado interesse pelos marginalizados, frequentemente esquecidos nas obras de ficção científica ou até mesmo nas policiais. Há personagens indígenas norte-americanos, casais homossexuais e também mulheres inspiradoras. Relevante ressaltar como é bem medido o grau de favoritismo entre Chris, o narrador, e Vann. Pois esta é extremamente relevante para todo o arco do livro, já que além de ter um ótimo cargo, o de chefe, é astuta e a voz da razão. Nesse ponto, é inevitável não lembrar Mad Max: A Estrada da Fúria (2015), o qual foi aclamado por dar força às figuras femininas e por lutar contra o machismo atrelado aos filmes de ação. Tanto a obra cinematográfica quanto a literária apresentam protagonismo masculino, porém as mulheres se mostram muito mais interessantes ao espectador, por estarem focalizadas, ou seja, sendo ativas nas narrativas. E também são dadas a elas as cenas com peso emocional.

Provavelmente por trabalhar como crítico do meio do cinema, Scalzi, em diversas passagens, utiliza frases de efeitos e recursos que aproximam o romance da linguagem cinematográfica. O tom subjetivo aparece em alguns trechos, por meio de ações que mesclam realidade e imaginário. O filme Gabinete do Dr. Galigari (1920) compreende cenas com a finalidade de confundir o espectador; nele, não há clareza sobre se o que é mostrado retrata a maldade de Caligari ou se são apenas devaneios de Cesare, o protagonista. O uso de alguns bordões como alívio cômico, revistos e revisitados em todas as produções sobre super-heróis atualmente, também está presente. Além disso, muitos fragmentos do romance parecem ter sido escritos já pensando em uma adaptação para o cinema. Há, por exemplo, o emprego da progressão da montagem norte-americana nas cenas de ação, como os cortes rápidos, utilizados em momentos de frenesi. O autor lança mão também de lutas coreografadas, as quais, narrativamente, já formulam na cabeça do leitor como poderiam ser executadas, lembrando os grandiosos embates nos dois filmes de Kill Bill (2004), ou nas produções estreladas por Jackie Chan.

Apesar da ótima construção literária, o autor peca nas páginas finais, acelerando demais a narrativa, até então apresentada de forma lenta e gradativa. O final do romance é satisfatório, porém o aumento da velocidade no desfecho da trama passa a impressão de que o autor foi pressionado pela editora para lançar seu livro o mais rápido possível. Vencedor dos prêmios Hugo e Locus Awards, John Scalzi mostra mais uma vez, com Encarcerados, por que é considerado um dos grandes escritores de ficção científica atualmente. A obra, que já se tornou best-seller, ganhou uma continuação: escrita e lançada este ano nos Estados Unidos com o título de Head On, ela ainda não tem lançamento previsto no Brasil.


*Por José Henrique Tobias Pereira 
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Explicando Tolkien, de Ronald Kyrmse, é o livro indicado para todo amante da obra do escritor de O Senhor dos Anéis (1954-1955). O autor reuniu em uma única produção toda a informação necessária para que o leitor iniciante seja capaz de compreender o processo de criação de um universo fantástico, em especial o criado por Tolkien. 

Kyrmse deixa claro, desde as primeiras páginas, seu apreço pela construção do Mundo de Arda. Por isso, neste exemplar, sempre se destacam os pontos fortes dessa composição, como a estruturação linguística e imagética do cenário, e as dimensões, que Kyrmse afirma serem três: diversidade, profundidade e tempo. Sobre diversidade, ele fala da variedade de raças, vocabulário, gramática e fonologia. Já sobre profundidade, destaca as lendas de cada povo, costumes, geologia e vestimentas, por serem aspectos minimamente detalhados. Sobre a dimensão do tempo, explica que todo cenário descrito por Tolkien não está lá apenas como obstáculo ou vista admirável. O rio, colina ou floresta que aparece em O Senhor dos Anéis está em Silmarillion (1977), assim como em outros livros, constituindo a história daquele local e marcando a cronologia de suas obras, por isso “é complexo o ‘ofício’ do autor que pretende convencer-nos da realidade” (p. 23). Foi preciso que Tolkien passasse inúmeras noites em claro fazendo revisões, lutando para “autenticar” seu mundo. Essas três dimensões, complexas e diferentes entre si, são o que confere à criação de Tolkien uma maior semelhança com o nosso mundo primário de todos os tempos.
Após mais de vinte anos de pesquisa, lendo e relendo O Hobbit (1937), O Senhor dos Anéis e Silmarillion, entre outras obras, Kyrmse sintetizou em 180 páginas vários fatores que tornaram possíveis a existência do Mundo de Arda. Por meio de Explicando Tolkien, o leitor entra em contato com várias facetas da vida do escritor que influenciaram sua produção, como a sua educação em colégios religiosos, a sua vida acadêmica, a sua carreira, seus trabalhos que foram rejeitados e até mesmo as suas relações amorosas. Além da vasta pesquisa realizada por Kyrmse, temos ainda acesso às cartas deixadas por Tolkien, várias delas sobre sua criação linguística e sua opinião a respeito da própria obra.
A habilidade de criar línguas complexas, com fonologia e gramática particulares, é o maior destaque presente nas obras de Tolkien. O Quenya (alto élfico) e o Sindarin (élfico cinzento) são as duas línguas mais bem definidas, tendo como base o finlandês e o galês, respectivamente. Outras línguas estão presentes em suas histórias, no entanto poucos registros são apresentados na obra ou nas cartas do autor. Por isso, uma parte do livro de Kyrmse é dedicada especialmente à apresentação dessas línguas com grafia e pronúncia próprias.
C. S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia (7 vols. 1950-1956), foi um dos grandes amigos de Tolkien, tendo sido inclusive o primeiro a resenhar O Hobbit. Muitos chegaram a comparar a produção de ambos, e de fato sabemos que existiu certa competição, se não atrito, entre os companheiros literários. Embora esta amizade não seja o foco do livro, Lewis não deixa de ser citado. Desse modo, aprendemos que o amigo foi muitas vezes o único ouvinte e crítico durante a criação de O Senhor dos Anéis. E mais: Tolkien não era recíproco na crítica ao trabalho de Lewis, deixando em cartas que nunca fora fã das “alegorias” religiosas.
Outro ponto abordado no livro é a dificuldade da tradução da obra de Tolkien. O próprio Kyrmse foi revisor e consultor das traduções brasileiras de O Senhor dos Anéis, O Hobbit e Silmarillion, além de ter traduzido Contos Inacabados (2002):
 A tradução da obra tolkieniana é imprecisa como todas, e talvez mais difícil do que muitas. Vêm sempre à mente as famosas palavras traduttore, traditore (“tradutor, traidor”). Mas o caminho é pelo menos abrandado pelas orientações que o próprio autor nos legou. (p. 161)

O mais incrível do trabalho de Kyrmse não está nos fatos que ele expõe, mas na vida dedicada ao estudo de Tolkien. Graças a esse empenho, o autor conseguiu descrever a complexidade da criação da linguagem, da fauna, da flora, dos costumes, dos calendários, da disposição geográfica, da passagem do tempo e de muito mais que foi elaborado pelo escritor.
 Desde 2001 fomos agraciados com a melhor versão adaptada dos filmes da trilogia do Anel. A adaptação dirigida por Peter Jackson, também grande fã de Tolkien, é comentada por Kyrmse, que analisa as diferenças entre os livros e os filmes, assim como descreve os defeitos e qualidades das adaptações mais antigas. Sem dúvida, o autor sabe direcionar o leitor para todas as dificuldades de um processo criativo e artístico: o filme não é o livro.
Mais do que tudo, este trabalho existe não apenas para saciar a sede de conhecimento sobre a criação do Mundo Secundário, a metodologia e a mitologia. Mas para que cada vez mais leitores busquem os livros de Tolkien, vejam os filmes e entrem em contato principalmente com O Senhor dos Anéis, o best-seller que, de acordo com Kyrmse, vendeu menos apenas que a Bíblia.


*Por Heloiza Lopes de Oliveira
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O Brasil, de acordo com o Global Publishing Monitor, ocupa o 13° lugar no ranking dos maiores mercados literário do mundo. Uma pesquisa feita pelo Ibope em 2015 mostrou que a média de brasileiros considerados leitores é de 56%, consumindo, aproximadamente, 4,96 livros por ano. Grande parte dos títulos de romance lidos são traduções, a maioria do inglês, mas, ainda que em menor escala, o brasileiro também está habituado a se aventurar em publicações em língua portuguesa.

O fato de brasileiros lerem, sim, romances em língua portuguesa não significa que o mercado nacional consuma literaturas de todos os países e culturas com os quais compartilhamos a nossa língua. Analisando as listas de romances mais vendidos no Brasil nos últimos oito anos na Publishnews, revista digital responsável por divulgar notícias acerca do meio editorial do Brasil e do mundo, apenas um livro de língua portuguesa não nacional esteve entre os vinte mais vendidos do país: Mulheres de cinzas, do autor moçambicano Mia Couto.

Atualmente, algumas editoras brasileiras se dedicam a publicar literaturas em língua portuguesa não nacionais. Este é o caso da Kapulana, especializada em literaturas africanas, e da Pallas, voltada para literatura e cultura afrodescendente. Apesar de ambas as editoras possuírem um catálogo rico, elas ainda não têm representatividade forte o suficiente para que esse nicho literário se torne expressivo no cenário brasileiro. Uma das barreiras para a consolidação desse mercado poderia ser o preconceito, mas esse não parece ser o caso.

De acordo com Rosana Morais Weg, diretora e fundadora da  Kapulana, a procura por esse por esse tipo de literatura parece ser maior do que a oferta, pois há todo um trabalho de divulgação de livros africanos no Brasil em escolas, centros culturais, feiras literárias, entre outros espaços. Além disso, completa Rosana, uma vez no mercado, livros de língua portuguesa de origem africana costumam ser recebidos de forma acolhedora. No entanto, o caminho que percorrem até as mãos do leitor consiste num processo longo e caro. Assim, apesar da boa recepção, eles ainda não seriam comprados em um volume suficiente para que valha a pena, para as editoras e livrarias, imprimi-los, transportá-los e consigná-los.

Fundada recentemente, em 2012, a Kapulana ainda tem poucos títulos do gênero romance em seu catálogo, formado sobretudo por obras de poesia, contos e literatura infantil. Mais tradicional, a Pallas, criada em 1975, já possui um catálogo mais amplo de romances em língua portuguesa. De acordo com Mariana Warth, dona da editora, o mercado de romances em língua portuguesa está se profissionalizando e vem, pouco a pouco, aumentando. No site da Amazon, por exemplo, a editora tem 27 títulos à venda. Já na Estante Virtual, esse número sobe para 90.

 Por enquanto, porém, ainda é difícil perceber o crescimento dessa literatura no cenário editorial nacional. Se observamos a Companhia das Letras, por exemplo, editora que ocupa um lugar de peso no mercado de livros  brasileiro, os números não são muitos diferente daqueles encontrados na Publishnews. Dos 1.783 romances do catálogo atual da editora, 13 são de Moçambique, 4 de Angola e 54 de Portugal, o que só representa 3,9% das publicações. Já ao analisarmos o número de publicações por ano é possível perceber que ele não se altera significativamente, variando de três a seis lançamentos, com exceção de 2016, ano em que os direitos autorais do escritor Mia Couto foram comprados. 

Além disso, se procurarmos livros de outros países, além de Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, o número de lançamentos é praticamente nulo. Ao todo, nove países possuem o português como língua oficial, mas esses quatro países dominam o cenário das publicações. Desse modo, segundo conclui Mariana Warth, os outros participantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) “não estão muito bem representados aqui no Brasil na área da literatura”.

Observa-se que, fora do Brasil, o cenário não é muito diferente. A representação das literaturas em língua portuguesa se mostra presente em feiras internacionais de livros, como a de Frankfurt, mas, mesmo assim, em 2017 o estande reservado a uma editora angolana foi cancelado na última hora e foi identificada no evento a ausência de outros países luso-africanos. Entretanto, alguns avanços foram feitos. A editora Cabo-Verdiana esteve presente na feira este anos através do convite da editora Rosa de Porcelana. Esse convite se deve, em parte, ao fato de o autor Germano de Almeida ter conquistado o Prêmio Camões 2018. Além disso, o país também é conhecido por ser o anfitrião da sede do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP).

Algumas medidas foram tomadas na tentativa de transformar a língua portuguesa num espaço de conexão entre as culturas dos seus países falantes. Uma delas foi o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, adotado em janeiro de 2009 por quatro países (Brasil, Portugal, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe). O principal objetivo do acordo era unificar a grafia da língua portuguesa, impulsionando a difusão cultural, a divulgação de informações e as relações comerciais entre os países. Moçambique e Angola, apesar de ficarem atrás somente de Portugal em número de publicações no Brasil, não participaram do acordo.

Outra medida de relevância foi a criação de um órgão no governo português chamado Direção-Geral Do Livro, Dos Artigos e das Bibliotecas (DGLAB). Criado em 2007 com o intuito de expandir o mercado literário no país e em todo o mundo, a Direção-Geral promove prêmios literários, editoração de títulos e difusão da literatura, tanto em Portugal como internacionalmente. Dessa forma, ele se tornou, para a editora Mariana Warth, “uma porta, que se abriu para conhecer melhor os autores de nosso tempo em língua portuguesa”.

Ao se tratar de medidas especificamente brasileiras, temos a promulgação da lei 11.645 de 10 de março de 2003 (modificada em 2008) que dita a obrigatoriedade de conteúdos referentes à história e à cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros nos currículos escolares, principalmente nas áreas de artes, literatura e história brasileiras. Caso fosse aplicada de forma efetiva, essa lei poderia proporcionar aos estudantes um contato muito maior com esse nicho literário, impulsionando o mercado. Na prática, porém, isso não ocorre. Em entrevista para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o pesquisador da USP André de Godoy Bueno afirma que “apesar de a Lei ter sido promulgada em 2003, ainda hoje encontramos universidades que não trabalham esse conteúdo na formação docente”. Na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), por exemplo, o Departamento de Teoria Literária, um dos responsáveis pela licenciatura do curso de letras, contratou uma professora especialista na área apenas em 2017, 14 anos após a promulgação da lei.

Como observamos, mesmo sendo o português uma língua com mais de 250 milhões de falantes, estando 80% deles no Brasil, apenas um livro em língua portuguesa originado de outro país esteve entre os mais vendidos nos últimos oito anos. Contudo, fazer com que os romances diversos cheguem ao público brasileiro não é função apenas das grandes editoras, expandindo seu catálogo e facilitando a entrada desses livros no mercado brasileiro, mas também um processo de valorização do leitor brasileiro da sua própria língua, enxergando-a como um instrumento de conexão entre diferentes culturas que se utilizam dela para se expressar.
  
*Por Amanda A. Farias, Ana Karolina Alves de Oliveira, Ariane G. Monteiro e Lívia Gabrielle Vieira.
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Nesta quarta-feira, 14 de novembro, a Unicamp receberá o premiados escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa, no Anfiteatro do IEL, às 15h. O autor participará de uma mesa de debates e lançará o livro Gugunhana: Ualalapi e As mulheres do imperador. O evento conta com o apoio da Editora Kapulana, responsável pela publicação da obra, e do Grupo de Estudos de Literaturas e Culturas Africanas (GELCA).



Gugunhana reúne duas obras de Khosa. Na primeira (Ualalapi), publicada originalmente em 1987, o leitor acompanha a ascensão e queda daquele que se tornaria o imperador Gugunhana, conhecido pela grande resistência que ofereceu aos portugueses, no final do século XX. É possível identificar nesse romance uma série de características da geração de artistas que despontaram nos  anos 80 em Moçambique. Entre estes traços está a fragmentação do enredo, o uso de palavras de origem khosa e a não idealização do imperador, também retratado como uma figura autoritária e violenta.


De fato, a  literatura de Khosa se desenvolveu na década de 1980 num contexto de grande embate no campo literário. Por um lado, o Estado, há pouco independente e em meio a uma guerra civil que se prolongaria por muitos anos, privilegiava autores e obras que afirmavam o projeto de nação e de “homem novo” pretendidos. Por outro, surgia essa nova geração de artistas que, em busca da recriação de novas vozes e realidades, contestavam a identidade do país.

Já em As Mulheres do Imperador, ainda inédito no Brasil, o leitor continuará a acompanhar a história de Gungunhana, porém a partir de outro enfoque. Nesse livro, as protagonistas são as mulheres, que partem com o imperador em seu exílio e regressam quinze anos mais tarde.

O evento será uma boa oportunidade para conhecer e debater a obra de Ungulani Ba Ka Khosa. Aberta ao público, a mesa será mediada por Elena Brugioni, professora de literaturas afriacanas do IEL, e por Natasha Magno, do GELCA.

* Carolina Jacomini e Katharina Sayuri Guerjik
(Fonte da imagem)
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Norina sempre temeu os Indomados [...] os imaginava como monstros, tomados por sua besta interior e abandonados pelos Doze Deuses. Até o dia que sua mãe adotiva, Ros, conta a menina que ela é um deles.

Sob a Capa Vermelha é o livro ganhador do concurso “Sua História nos 10 anos da Galera", promovido pela editora Record. Escrito por Mariana Vitória, 19 anos, estudante do segundo ano da graduação em Estudos Literários, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a obra é inspirada no clássico infantil Chapeuzinho Vermelho. Pertencente ao gênero da fantasia, bastante popular entre os jovens, ela narra uma história de aventura, na qual Norina, a personagem principal, vê-se envolvida numa trama com perigos e desafios, em que desvela o desconhecido.
Organizado em comemoração aos dez anos do Galera, selo da editora Record dedicado ao público jovem-adulto, o concurso se dirigia a autores e obras de romance/ficção inéditos. Ao todo, 49 títulos foram classificados. Conquistando o primeiro lugar, Mariana foi premiada com a publicação do livro em versão impressa e em ebook.  “Eu sempre quis ser publicada pela Intrínseca e Galera Record, mas eu não tinha esperança nenhuma”, conta a jovem escritora em entrevista concedida ao blog. Do início do processo de escrita até a sua conclusão, incluindo as revisões realizadas, Mariana se dedicou cinco anos à sua obra de estreia. Nesta entrevista, ela conta ainda como a história da trama mudou, ao longo da sua redação, e nos fala sobre seu próximo livro, cuja gestação já foi iniciada. Confira a entrevista com Mariana Vitória.

P: Desde quando você escreve?

R: Sempre escrevi, desde pequena. Aos 8 anos, eu já falava que queria ser escritora. Eu juntava folhas sulfites, grampeava e falava que eram os meus livrinhos. Quando entrei na adolescência sempre pensava: “eu vou escrever um livro, já que para ser escritora é preciso escrever”. Então eu forçava a criatividade, mas ela não vinha. Tentava fazer exercício de escrita, usar temas prontos, mas para mim eu estava num bloqueio criativo que durava a vida inteira.

P: Como surgiu Sob a Capa Vermelha?

R: Eu sinceramente não lembro como veio a ideia da história, mas lembro que veio a ideia dos Indomados (explicar o que são), inspirada na Chapeuzinho Vermelho. Demorei 5 anos para escrever o livro: comecei em julho de 2013 (14 anos) e terminei mais ou menos no começo de 2017. Fiz diversas revisões, tanto sozinha quanto contando com a ajuda da Odisseia Consultoria (empresa júnior do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp, onde Mariana faz a sua graduação).

P: Conte como foi o processo de escrita. Você separava horários específicos do dia para escrever ou escrevia conforme ia encontrando tempo?

R: No começo eu tinha horários específicos. Lembro que, em novembro de 2013,  eu me propus a escrever duas mil palavras por dia. Caso não conseguisse, o que era raro, eu passava o restante para o dia seguinte. Houve um mês em que eu acumulei tanto que tive que escrever nove mil palavras em um dia. Foi o dia que eu mais escrevi na minha vida. Mas consegui bater isso!

P: Fez algum acompanhamento durante a escrita? Como um coaching, por exemplo?

R: Não. O que me ajudou foram as aulas do Ensino Médio e da UNICAMP. Ninguém nasce sabendo escrever. Mas fora isso, foi puro treino. E a internet também me ajudou bastante, além de ler livros sobre roteiro.

P: Você manteve a ideia original do livro desde o começo ou ela se alterou conforme a escrita?

R: No começo era para ser uma história no futuro. O nome da personagem era diferente, tinha ninfa, fadas. Então, quando eu olho para o manuscrito, eu vejo outra história, apesar de também enxergar o embrião do livro.

P: Como as pessoas reagiam à ideia de você estar escrevendo um livro?

R: Muita gente realmente ficava feliz., Outros tratavam como se fosse um hobby. Apesar disso não me desmotivar, chateia-me porque parece que não é levado sério, como se todo mundo tentasse fazer isso um dia na vida. É difícil no Brasil as pessoas entenderem que ser escritora não é um hobby. Para alguns é realmente um trabalho e se ganha dinheiro com isso!

P: Sabemos que é difícil publicar um livro no Brasil. Como surgiu essa oportunidade pra você?

R: Eu sempre quis ser publicada pela Intrínseca e Galera Record, mas eu não tinha esperança nenhuma porque só publicam autores já conhecidos ou autores internacionais. Entretanto, nunca deixei de olhar as páginas e blogs das editoras para verificar se tinham aberto um formulário de submissão para novos autores e histórias. Eu estava terminando de escrever a Sob a Capa Vermelha quando uma amiga minha da faculdade me falou que tinha visto um post da Galera Record sobre o concurso “Sua história nos 10 anos da Galera”, que nada mais era que a abertura para novas pessoas. Quem ganhasse o concurso seria publicado por eles. Depois disso foi frenético, porque tive que terminar de escrever, revisar um pouco, com ajuda da Odisseia (Empresa Júnior do IEL, na UNICAMP) e enviar a tempo para o concurso. Consegui passar para a segunda fase, que tinha quatro  finalistas. E depois eu fiquei em primeiro lugar. Desde então estamos na parceria, trocando e-mails direto. Já fui pro Rio conhecê-los também. A correria foi tanta que tudo isso aconteceu em praticamente quatro meses .

P: E depois, como foi o processo de edição e lançamento?

R: Foi um trabalho muito árduo porque um ano é um tempo muito pequeno para publicar um livro. O pessoal de lá foi muito dedicado, o livro passou por diversas revisões, foram muito receptivos, respondiam todas as minhas dúvidas, já que eu era autora de primeira viagem. Foi uma experiência sensacional!

P: Você pretende seguir a carreira de escritora?

R: Com toda certeza!

P: Você já está escrevendo outro livro? Poderia nos dar um spoiler?

R: Já estou escrevendo outro livro, possivelmente uma duologia, mas ainda não tenho certeza de nada. Meu foco é fantasia, ficção. Gosto muito de fantasia épica (estilo medieval), mas agora estou escrevendo fantasia contemporânea. Estou disposta a escrever de tudo, escrevo poema também. Talvez eu nunca escreva terror e comédia/comédia romântica. Acho que não me dá prazer por quebrar a minha cabeça pensando se está engraçado ou misterioso mais do que curtir o processo.

P: Defina Sob a Capa Vermelha em uma palavra e nos diga por que escolheu essa palavra.

R: Tenho duas: filho e sonho. As duas se entrelaçam porque foi um sonho que eu sempre tive e ele finalmente se realizou, transformou-se no meu primogênito. Eu ainda estou um pouco vulnerável, porque estava muito envolvida com ele e fiz com muito amor, carinho, dedicação, lágrimas, tendinite e agora o mundo todo vai ver e ele vai andar sozinho. Então é o sonho desde pequena que foi realizado e não caiu a minha ficha ainda.

*Por Beatriz Laurente Zaparoli, Dayane Silva Brandão e Mariana Lio Mícoli, alunas de Estudos Literário do IEL/Unicamp

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O controverso Caderno de Memórias Coloniais de Isabela Figueiredo, lançado em 2009, se destaca na figura da narradora: Isabela, autora que narra, e Isabela, personagem que é narrada. A estrutura exprime o pensamento de uma criança e como a mulher adulta foi formada a partir de sua infância. Atraindo grande público em terras lusitanas e em Moçambique, a obra gerou polêmicos debates em seu lançamento, rompendo um acordo de silêncio entre os retornados em Portugal.

O livro foi visto como uma traição, uma mentira contada por uma branca ignorante de classe baixa. Já aqueles que ouviram e aceitaram a narrativa reconheceram em suas palavras um relato da violência racial na Moçambique pré-independência, sobre a qual existia um consenso de ignorância e segredo: “ninguém sabe de nada, ninguém fala nada”. Essas vozes silenciadas tinham intenção de atacar somente os colonizados; durante a colonização e até além, houve o acolhimento de ideias racistas, associando com frequência a imagem do negro ao selvagem. Com a independência, a concepção de que os portugueses eram inocentes, grandes vítimas de selvagerias da parte dos negros colonizados, era aceita e disseminada pelos colonizadores que retornavam à Portugal. 
Jornalista, professora e escritora, Isabela Figueiredo nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo), capital colonial de Moçambique. Aos doze anos mudou-se para Portugal, logo após a independência do país, em 1975. Sua mudança ocorreu em consequência dos ataques sofridos pelos colonos remanescentes e seus filhos. Era uma retornada, nome dado aos portugueses que voltaram à Europa após a independência, fugindo da “vingança dos colonizados”.
O texto transcende as questões imperialistas de colono/colonizado. Aprofundando-se na narrativa, descobre-se também um relato de amor indestrutível da filha pelo pai machista e racista, um amor que reconhece defeitos e permanece filial. É uma obra sobre uma criança descobrindo corpos; o seu próprio e os dos outros. Figueiredo escreve sobre uma menina de infância interrompida e que de repente se torna mulher, um meio encontrado para sua sobrevivência quando retorna a Portugal, que já não mais existia do modo que o pai conheceu.
A figura paterna, esmagadoramente presente, é retratada como a de um homem de seu tempo, “tão racista como os que eram racistas, e eram muitos, na metrópole no ultramar” (p.12). Na condição de colono, era preconceituoso e cruel. Como pai, entendia que a filha merecia e necessitava de liberdade acima de todas as coisas, não desejando que ela dependesse de alguém para sobreviver.
Figueiredo representa na narrativa a figura masculina de toda uma sociedade colonial, utilizando como recurso o próprio pai e homens colonizados que conheceu. Na introdução da obra, escrita pela autora moçambicana Paulina Chiziane e pelo filósofo português José Gil, diz-se que “o colonialismo é masculino” (p.17), baseado intimamente em uma figura patriarcal católica. Enquanto isso, a África é sempre referida como mãe, mulher. Uma mulher agredida e invadida. A história oficial do colonialismo de Portugal é um território masculino: do “bom colonizador”, aquele que foi mais brando, gentil se comparado a outras potências imperialistas, tais como as violentas Inglaterra, Bélgica e França, e o outro lado, dos colonizados, brutos e violentos. As vozes ouvidas dessa sociedade, sejam as reprimidas ou opressoras, pertencem aos homens. Dessa forma, a autora quebra o segundo contrato de silêncio, a repressão do lugar de fala feminino. As vozes mais profundas do texto de Isabela Figueiredo pertencem às mulheres silenciadas, excluídas e oprimidas. Brancas ou pretas, sem direito à sua voz e à sua sexualidade. Isabela tem força em seu discurso e em nenhum momento tenta se apropriar da fala que não lhe pertence. É branca, filha de portugueses racistas. Soube identificar a injustiça e a violência sofrida pelo colonizado, tendo sido rotulada como traidora por expô-la.
Caderno de Memórias Coloniais é sobre ambos os lados do colonialismo em Moçambique: sobre os colonizados, e sobre Isabela e os retornados. O retornado é um indivíduo sem lar; embora “colono”, já não pertencia mais a Portugal nem a Moçambique. Em uma tentativa de fugir do cenário de vida miserável destinado aos colonos (agora sem seus privilégios e extremamente mal vistos) após a guerra de independência, Isabela é mandada para Portugal na intenção de recomeçar. Ao chegar, é humilhada pelas cores vibrantes de suas roupas, como se fosse uma figura cômica, uma palhaça. A menina se incomoda com a figura de toda a cidade e da Metrópole: suja, feia, pálida e gelada, tão diferente de sua terra doce, Lourenço Marques, que ardia.  

Isabela, personagem e escritora, era uma menina vista pela própria família e vizinhos com uma “alma de preta”, associando-a às meninas pretas que corriam mais livres que um filho de colonizador. Tal quadro aparece no desconforto da mãe, sempre vestindo-a de branco, numa necessidade de nunca se sujar: “uma branca de branco, agarrada à saia que não pode sujar, olhando os sapatos brancos que não podem empoar” (p.156). Destoando de seu ciclo social (mulheres brancas de família, criadas para serem comedidas e para o casamento), ela foi classificada como inferior, algo que a perseguiu até a vida adulta: “A partir de certa idade, muito cedo na infância já somos nós, o que há de perseguir-nos sempre” (p.160).

Antes de a obra ser publicada, era habitual que se defendesse a ideia do “bom colonizador”. Em Moçambique, o colono teria sido brando e justo, tendo grande importância na formação da nação. Com a independência, a selvageria havia voltado, cabeças eram decapitadas e bons brancos de família, caçados. Do outro lado, uma nova versão tentava ganhar legitimidade: os horrores do colonialismo e todo o mal que este trouxe.

Em Caderno de Memórias Coloniais, Isabela Figueiredo exprime o feio de ambos os lados da colonização, em uma postura de compromisso com a realidade. O conflito nasce daqueles que adotam apenas uma versão dos fatos, o que, dentre os retornados e colonizados recém independentes, representava grande maioria.

A autora explica a razão do acordo de silêncio entre os retornados: presos em sua própria ideologia, nenhum admite a presença de qualquer outra verdade. É conveniente assumir que existe apenas um vilão na história. Para que conseguissem prosseguir sem culpa, os retornados edificaram uma mentira, algo que os permitisse continuar. Ao final da obra, a escritora retornada, detentora de rara consciência, conclui: “Há tantas vítimas entre os inocentes-inocentes como entre os inocentes-culpados. Há vítimas-vítimas e vítimas-culpadas. Entre as vítimas há carrascos” (p.172).
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O assassinato de mulheres, pela própria condição de ser mulher, configura-se como fato recorrente. Lima Barreto (1891-1922), escritor brasileiro, romancista e cronista, preocupou-se em registrar os assassinatos de mulheres ocorridos no Rio de Janeiro, ainda em 1915. Na crônica “Não as matem” (Vida Urbana, 1915), Barreto clama que “esse obsoleto domínio à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa que enche de indignação” (...) “Não as matem, pelo amor de Deus!”. No México, Frida Kahlo (1907- 1954) também retratou os crimes na pintura Umas facadinhas de nada (Uns quantos piquettos, 1935), inspirada em uma notícia, na qual um homem bêbado jogou a namorada na cama e a apunhalou várias vezes. Quando interpelado pela polícia sobre o assassinato, teria respondido que foram apenas umas “facadinhas de nada”.


Na Argentina, o livro Garotas Mortas (2018) de Selva Almada poderia ser inserido nesse movimento de percepção e interpelação das motivações para esse tipo de crime. Nele, a autora aborda, a partir de suas memórias, três assassinatos impunes ocorridos na década de oitenta no interior do país.  Dentre os três casos relatados, outros são citados, demonstrando a especificidade dessas mortes: as vítimas eram todas mulheres, com menos de vinte anos.
A narrativa em primeira pessoa revela, inicialmente, como tais assassinatos se davam de modo corriqueiro, eram somente mais uma notícia no jornal, no rádio ou na televisão. No entanto, esses fatos se integram à memória da infância da autora, que cresceu na província de Entre Rios, longe do burburinho da grande Buenos Aires. Nesse ambiente aparentemente pacato, aos treze anos, a autora descobriu que uma mulher não estava segura. Dessa forma, aquilo que primeiramente parecia ser rotineiro adquiriu maior importância e transformou-se numa preocupação:
 Eu não sabia que uma mulher poderia ser morta pelo simples fato de ser mulher, mas tinha escutado histórias que, com o tempo, fui ligando umas às outras. Casos que não terminavam com a morte da mulher, mas em que ela era objeto da misoginia, do abuso, do desprezo.

As principais personagens dessas memórias de assassinato, Andrea Dunni, Maria Luísa Quevedo e Sarita Mundin, são jovens do interior e suas histórias reverberavam na mente da adolescente, que se tornaria escritora, como crimes não solucionados; contudo, a impunidade martelando a narrativa de Almada não apresenta uma suposta busca pela solução de tais homicídios ou punição dos agressores. A autora pretende entender a razão de tantas mulheres morrerem, pelo único fato de pertencerem ao sexo feminino, o que não foi uma tarefa fácil, dado que as mortes lhe chegavam como uma “revelação” da fragilidade desses corpos, desprezados, abusados e violentados. A condição de mulher se encontra, então, com a função da escrita não ficcional, como o registro de um tempo específico, a Argentina recém - egressa do período ditatorial e envolta num clima de tortura, assassinatos não solucionados e desaparecimentos.
Feminicídio, termo hoje recorrentemente utilizado para se referir aos crimes motivados pela misoginia, ainda não existia como conceito delimitador de uma categoria específica de assassinato. Porém, tanto na Argentina como em outros países da América Latina, bem como ao redor do mundo, o homicídio de mulheres foi e continua sendo uma constante que teve de ser contemplada em uma legislação específica, para que fosse registrado, punido e evitado. A principal questão que Selva Almada nos oferta em seu livro confronta-se com esse aspecto formal do problema, pois dar um nome e uma legislação que prevê o feminicídio como circunstância qualificadora do crime não é suficiente.
A pergunta também permanece martelando a leitora e o leitor. Desde o epílogo de Garotas Mortas há aquela revelação da fragilidade feminina que se manifestava numa posição social marginal, em um ser que poderia gritar, lutar e tentar sobreviver, mas acabava sendo aniquilado e esquecido, vítima da misoginia que matou no Rio de Janeiro de Lima Barreto e no México de Frida Kahlo. Retomando o trecho da poetisa argentina Susana Thénon, citado por Almada no epílogo, podemos dizer que a autora de Garotas Mortastomou para si a missão dar voz para as mulheres assassinadas que foram apagadas pela violência de seus assassinos: “essa mulher, por que grita?\vá lá saber\olha que flores bonitas\por que ela grita?\jacintos margaridas\por quê?\ por que o quê?\ por que grita essa mulher?”,

*Por Laila Correa e Silva, aluna de Estudos Literários do IEL/Unicamp
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Tão insano quanto você é um livro do escritor estadunidense Todd Hasak-Lowy que conta a história de Darren, um adolescente cujos pais acabaram de passar pelo processo de divórcio. Apesar de o enredo parecer clichê, sobretudo para uma obra dirigida ao público infanto-juvenil, esse livro está longe de ser comum. Um de seus aspectos mais inovadores e intrigantes é a estrutura: a narrativa inteira é feita por meio de mais de 350 listas. Tendo apenas uma tradução no Brasil, de Alexandre Boide, o livro tão pouco convencional e que recebeu opiniões tão díspares foi publicado em 2015 pela V&R Editoras.


A narrativa é dividida em quatro partes e cada uma delas se passa em um dia da vida de Darren. Por essa razão, apesar das 641 páginas, a história é sucinta, as situações acontecem seguidas umas das outras e o tempo – tanto no livro, quanto de leitura – passa rápido. Além disso, o que poderia dificultar o entendimento dos acontecimentos é, na verdade, o que torna a leitura tão interessante e fluida.

As listas são dispostas de modo a substituir descrições convencionais e, dessa forma, elas permitem uma leitura sob uma perspectiva completamente nova. O narrador em Tão insano quanto você não descreve a cena, mas enumera coisas – objetos, pessoas, frases, entre outros elementos – a que o leitor deve dirigir a sua atenção. Isso, por sua vez, torna o enredo e as imagens criadas pelo texto surpreendentemente muito mais realistas. A narração é feita em terceira pessoa, mas sob o ponto de vista do personagem principal.

Da mesma forma, a descrição de cenários e a construção de personagens acontecem de maneira mais complexa do que em um livro escrito em prosa convencional. Isso é possível, primeiramente, devido ao caráter incompleto das informações. As listas são, em sua maioria, breves, os elementos, evidentemente, estão em tópicos e não há encadeamento explícito de ideias ou elementos textuais coesivos. Por essa razão, o leitor deve preencher as lacunas de acordo com a própria percepção da história, a partir dos sinais e dicas fornecidos.

Em segundo lugar, as informações das listas nem sempre estão diretamente relacionadas a aspectos ou informações indispensáveis para o desenvolvimento do enredo. Assim, há uma constante alternância de foco durante a leitura, exigindo do leitor deter-se ora na trama central e ora em elementos supérfluos, o que resulta em uma quantidade grande de detalhes. Todos eles contribuem para o realismo das imagens formadas. Portanto, a construção do livro a partir dessa estrutura torna a atmosfera narrativa muito mais tridimensional do que a de outros livros em prosa simples.

As listas são reunidas para contar a história de Darren e como, aos poucos, ele descobre quem é e como lidar com o mundo a sua volta, que tão repentinamente mudou depois de seu pai revelar a ele que é homossexual. Como muitos livros infanto-juvenis, os pais do personagem principal se separam e o divórcio é o evento que impulsiona o início da história. Além disso, o enredo, como também é comum nos livros desse gênero, começa com a apresentação da rotina do protagonista a partir do momento em que ela é quebrada. No entanto, Tão insano quanto você surpreende o leitor com a sequência de acontecimentos e com o final. Assim, o enredo que parecia inicialmente clichê e sem graça acaba por se revelar completamente imprevisível.

A história se desenvolve a partir da listagem de lugares, pessoas, frases, palavras, minutos, pensamentos, objetos e mais elementos sobre as consequências da descoberta de Darren e como ele acaba conhecendo uma garota misteriosa, intensa e incomum chamada Zoey Lovell. A obra, que não é uma história de amor, suspense, superação, aventura ou drama, mas sim uma mistura de tudo isso, também incita discussões sobre (in)definição de identidade, distúrbios psicológicos, sexualidade, solidão, diversos tipos de responsabilidade e desejo de transformação.

Esses assuntos, apesar de densos e complicados, são abordados na narrativa de forma leve, mas não superficial. O formato do livro contribui para esse desenvolvimento, concentrando longos pensamentos em tópicos e simplificando-os. O título, por exemplo, constitui, no texto, uma reflexão condensada sobre a percepção da identidade dos próprios indivíduos e daqueles à sua volta. Além disso, retomando o aspecto realista e tridimensional, a história não é concluída de modo a alcançar as expectativas do leitor, ou seja, o tão superestimado final feliz não está presente e não há resolução de todos os conflitos criados e desenvolvidos durante a narrativa.

Grandes veículos internacionais, como a revista Publishers Weekly, elogiaram a obra, e tendo sido relacionada pelo The Guardian ao sucesso internacional de John Green, Cidades de papel, devido aos personagens e à condução inesperada dos fatos, Tão insano quanto você tem a própria identidade e é extremamente convidativo a qualquer leitor atraído pelo não-convencional. Apesar de a crítica brasileira não ter dado atenção ao livro e ele não ter recebido a divulgação que deveria, não há dúvidas de seu valor e de sua relevância.
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