Aluna do curso de Estudos Literários da Unicamp vence concurso literário promovido pela editora Record

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Norina sempre temeu os Indomados [...] os imaginava como monstros, tomados por sua besta interior e abandonados pelos Doze Deuses. Até o dia que sua mãe adotiva, Ros, conta a menina que ela é um deles.

Sob a Capa Vermelha é o livro ganhador do concurso “Sua História nos 10 anos da Galera", promovido pela editora Record. Escrito por Mariana Vitória, 19 anos, estudante do segundo ano da graduação em Estudos Literários, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), a obra é inspirada no clássico infantil Chapeuzinho Vermelho. Pertencente ao gênero da fantasia, bastante popular entre os jovens, ela narra uma história de aventura, na qual Norina, a personagem principal, vê-se envolvida numa trama com perigos e desafios, em que desvela o desconhecido.
Organizado em comemoração aos dez anos do Galera, selo da editora Record dedicado ao público jovem-adulto, o concurso se dirigia a autores e obras de romance/ficção inéditos. Ao todo, 49 títulos foram classificados. Conquistando o primeiro lugar, Mariana foi premiada com a publicação do livro em versão impressa e em ebook.  “Eu sempre quis ser publicada pela Intrínseca e Galera Record, mas eu não tinha esperança nenhuma”, conta a jovem escritora em entrevista concedida ao blog. Do início do processo de escrita até a sua conclusão, incluindo as revisões realizadas, Mariana se dedicou cinco anos à sua obra de estreia. Nesta entrevista, ela conta ainda como a história da trama mudou, ao longo da sua redação, e nos fala sobre seu próximo livro, cuja gestação já foi iniciada. Confira a entrevista com Mariana Vitória.

P: Desde quando você escreve?

R: Sempre escrevi, desde pequena. Aos 8 anos, eu já falava que queria ser escritora. Eu juntava folhas sulfites, grampeava e falava que eram os meus livrinhos. Quando entrei na adolescência sempre pensava: “eu vou escrever um livro, já que para ser escritora é preciso escrever”. Então eu forçava a criatividade, mas ela não vinha. Tentava fazer exercício de escrita, usar temas prontos, mas para mim eu estava num bloqueio criativo que durava a vida inteira.

P: Como surgiu Sob a Capa Vermelha?

R: Eu sinceramente não lembro como veio a ideia da história, mas lembro que veio a ideia dos Indomados (explicar o que são), inspirada na Chapeuzinho Vermelho. Demorei 5 anos para escrever o livro: comecei em julho de 2013 (14 anos) e terminei mais ou menos no começo de 2017. Fiz diversas revisões, tanto sozinha quanto contando com a ajuda da Odisseia Consultoria (empresa júnior do Instituto de Estudos da Linguagem, da Unicamp, onde Mariana faz a sua graduação).

P: Conte como foi o processo de escrita. Você separava horários específicos do dia para escrever ou escrevia conforme ia encontrando tempo?

R: No começo eu tinha horários específicos. Lembro que, em novembro de 2013,  eu me propus a escrever duas mil palavras por dia. Caso não conseguisse, o que era raro, eu passava o restante para o dia seguinte. Houve um mês em que eu acumulei tanto que tive que escrever nove mil palavras em um dia. Foi o dia que eu mais escrevi na minha vida. Mas consegui bater isso!

P: Fez algum acompanhamento durante a escrita? Como um coaching, por exemplo?

R: Não. O que me ajudou foram as aulas do Ensino Médio e da UNICAMP. Ninguém nasce sabendo escrever. Mas fora isso, foi puro treino. E a internet também me ajudou bastante, além de ler livros sobre roteiro.

P: Você manteve a ideia original do livro desde o começo ou ela se alterou conforme a escrita?

R: No começo era para ser uma história no futuro. O nome da personagem era diferente, tinha ninfa, fadas. Então, quando eu olho para o manuscrito, eu vejo outra história, apesar de também enxergar o embrião do livro.

P: Como as pessoas reagiam à ideia de você estar escrevendo um livro?

R: Muita gente realmente ficava feliz., Outros tratavam como se fosse um hobby. Apesar disso não me desmotivar, chateia-me porque parece que não é levado sério, como se todo mundo tentasse fazer isso um dia na vida. É difícil no Brasil as pessoas entenderem que ser escritora não é um hobby. Para alguns é realmente um trabalho e se ganha dinheiro com isso!

P: Sabemos que é difícil publicar um livro no Brasil. Como surgiu essa oportunidade pra você?

R: Eu sempre quis ser publicada pela Intrínseca e Galera Record, mas eu não tinha esperança nenhuma porque só publicam autores já conhecidos ou autores internacionais. Entretanto, nunca deixei de olhar as páginas e blogs das editoras para verificar se tinham aberto um formulário de submissão para novos autores e histórias. Eu estava terminando de escrever a Sob a Capa Vermelha quando uma amiga minha da faculdade me falou que tinha visto um post da Galera Record sobre o concurso “Sua história nos 10 anos da Galera”, que nada mais era que a abertura para novas pessoas. Quem ganhasse o concurso seria publicado por eles. Depois disso foi frenético, porque tive que terminar de escrever, revisar um pouco, com ajuda da Odisseia (Empresa Júnior do IEL, na UNICAMP) e enviar a tempo para o concurso. Consegui passar para a segunda fase, que tinha quatro  finalistas. E depois eu fiquei em primeiro lugar. Desde então estamos na parceria, trocando e-mails direto. Já fui pro Rio conhecê-los também. A correria foi tanta que tudo isso aconteceu em praticamente quatro meses .

P: E depois, como foi o processo de edição e lançamento?

R: Foi um trabalho muito árduo porque um ano é um tempo muito pequeno para publicar um livro. O pessoal de lá foi muito dedicado, o livro passou por diversas revisões, foram muito receptivos, respondiam todas as minhas dúvidas, já que eu era autora de primeira viagem. Foi uma experiência sensacional!

P: Você pretende seguir a carreira de escritora?

R: Com toda certeza!

P: Você já está escrevendo outro livro? Poderia nos dar um spoiler?

R: Já estou escrevendo outro livro, possivelmente uma duologia, mas ainda não tenho certeza de nada. Meu foco é fantasia, ficção. Gosto muito de fantasia épica (estilo medieval), mas agora estou escrevendo fantasia contemporânea. Estou disposta a escrever de tudo, escrevo poema também. Talvez eu nunca escreva terror e comédia/comédia romântica. Acho que não me dá prazer por quebrar a minha cabeça pensando se está engraçado ou misterioso mais do que curtir o processo.

P: Defina Sob a Capa Vermelha em uma palavra e nos diga por que escolheu essa palavra.

R: Tenho duas: filho e sonho. As duas se entrelaçam porque foi um sonho que eu sempre tive e ele finalmente se realizou, transformou-se no meu primogênito. Eu ainda estou um pouco vulnerável, porque estava muito envolvida com ele e fiz com muito amor, carinho, dedicação, lágrimas, tendinite e agora o mundo todo vai ver e ele vai andar sozinho. Então é o sonho desde pequena que foi realizado e não caiu a minha ficha ainda.

*Por Beatriz Laurente Zaparoli, Dayane Silva Brandão e Mariana Lio Mícoli, alunas de Estudos Literário do IEL/Unicamp

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